Fundamentos

A probabilidade de que você realmente precisa

Probabilidade condicional, distribuições, esperança e log-probabilidades formam o vocabulário prático dos modelos de linguagem.

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Conceito

Uma probabilidade é um número entre zero e um que expressa incerteza dentro de um modelo. Zero exclui um evento; um o torna certo segundo aquele modelo. Para possibilidades mutuamente exclusivas, as probabilidades somam um. A saída de próximo token de um modelo de linguagem é uma distribuição categórica: uma probabilidade para cada item do vocabulário. A distribuição é a previsão; selecionar um token é uma operação separada de decoding.

Probabilidade sempre depende de premissas e informação. Escrevemos P(A)P(A) para o evento AA e P(AB)P(A\mid B) para a probabilidade de AA sabendo que BB ocorreu. Modelagem de linguagem é condicional: P(xtx1,,xt1)P(x_t\mid x_1,\ldots,x_{t-1}). O mesmo token pode ser provável após um prefixo e improvável após outro. “Mercúrio” depois de “o planeta mais próximo do Sol é” difere de “o metal líquido é”.

Uma variável aleatória associa valores aos resultados possíveis. A distribuição informa como a massa de probabilidade se reparte. Para uma variável discreta XX, a esperança é a média ponderada E[X]=xp(x)xE[X]=\sum_x p(x)x. Ela não precisa ser um resultado observável: a esperança de um dado justo é 3,5, embora nenhuma face mostre 3,5. Em machine learning, a loss esperada resume desempenho sobre exemplos ou saídas possíveis.

A regra da cadeia decompõe a probabilidade de uma sequência. Para tokens x1,,xTx_1,\ldots,x_T,

P(x1,,xT)=t=1TP(xtx1,,xt1).P(x_1,\ldots,x_T)=\prod_{t=1}^{T}P(x_t\mid x_1,\ldots,x_{t-1}).

Essa identidade explica por que prever repetidamente o próximo token define uma probabilidade para uma passagem inteira. Também mostra por que probabilidades de sequências longas ficam minúsculas: multiplicamos muitos números abaixo de um. Valores tão pequenos são inconvenientes em precisão finita, portanto implementações trabalham com logaritmos.

Como log(ab)=loga+logb\log(ab)=\log a+\log b, o produto vira soma. O log de uma probabilidade é no máximo zero. Um evento mais provável tem log-probabilidade mais próxima de zero; um impossível tende a menos infinito. O treinamento costuma minimizar a negative log-likelihood, apenas invertendo o sinal para que previsões melhores resultem num objetivo menor. A média por token facilita comparar sequências.

Duas regras evitam erros comuns. Primeiro, P(AB)P(A\mid B) geralmente não é P(BA)P(B\mid A). Um sintoma pode ser comum entre pessoas com certa condição, enquanto a condição continua rara entre quem apresenta o sintoma. Segundo, probabilidade alta não equivale a verdade. O modelo estima regularidades dos dados e do treinamento; um equívoco fluente pode receber massa alta. Calibração pergunta se eventos previstos com 70% acontecem aproximadamente 70% das vezes em casos comparáveis.

Softmax conecta pontuações livres a uma distribuição. Dados logits ziz_i, calcula pi=ezi/jezjp_i=e^{z_i}/\sum_j e^{z_j}. Somar a mesma constante a todos os logits não altera as probabilidades, porque importam as diferenças relativas. Temperatura divide logits antes de softmax e muda a concentração da distribuição. Essas operações manipulam incerteza; não acrescentam evidência.

O kit prático é pequeno: normalize distribuições, condicione ao contexto, use a regra da cadeia para sequências, esperança para médias e logs para produtos estáveis. Preserve a distinção entre a distribuição do modelo e o mundo descrito. Com isso, loss, entropia, perplexidade, sampling e cross-entropy tornam-se variações de ideias conhecidas, não fórmulas soltas.

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Como explicar para uma criança de cinco anos

Imagine uma mesa meteorológica com cem fichas distribuídas entre os futuros de amanhã: sessenta em chuva, trinta em nublado e dez em sol. Um novo radar não declara um único futuro; ele move as fichas. A previsão é a distribuição inteira, não o nome sob a pilha maior. Modelos de linguagem fazem isso com tokens do vocabulário: o contexto redistribui massa, o decoding escolhe um resultado e o próximo contexto já inclui essa escolha.

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Ensine de volta

Explique probabilidade condicional e log-probabilidade com um exemplo de próximo token, incluindo por que o token mais provável não precisa ser certo.

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Ver uma resposta-modelo

O modelo estima P(próximo token | tokens já vistos). O contexto muda a distribuição: depois de “arroz com”, “feijão” pode ser provável sem receber probabilidade um. A probabilidade de uma sequência completa é um produto de probabilidades condicionais. O log transforma esse produto numa soma, numericamente estável e conveniente para o treinamento. Escolher o maior valor é uma decisão de decoding, não prova de verdade.

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Teste seu entendimento

1. O que precisa valer numa distribuição de próximo token?
Resposta e explicação

As probabilidades não são negativas e somam um — Uma distribuição categórica reparte massa não negativa entre resultados mutuamente exclusivos, totalizando um.

2. Por que log-probabilidades são somadas ao longo de uma sequência?
Resposta e explicação

Logs transformam produtos em somas — A regra da cadeia multiplica probabilidades condicionais; logaritmos convertem o produto numa soma mais estável.

Conclua o teach-back e acerte o quiz para finalizar a aula.

Fontes

  1. Claude E. Shannon (1948). A Mathematical Theory of Communication.