Fundamentos

Derivadas e gradientes, geometricamente

Derivadas medem sensibilidade local; gradientes reúnem essas medidas na direção de maior crescimento.

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Conceito

Uma derivada mede sensibilidade local. Para uma função de uma variável f(x)f(x), a derivada em xx é o limite das inclinações de secantes cada vez menores:

f(x)=limh0f(x+h)f(x)h.f'(x)=\lim_{h\to0}\frac{f(x+h)-f(x)}{h}.

Se f(x)=3f'(x)=3, uma variação positiva suficientemente pequena Δx\Delta x produz mudança de aproximadamente 3Δx3\Delta x. É uma aproximação linear local, não uma promessa sobre movimentos grandes ou regiões distantes.

Geometricamente, a derivada é a inclinação da reta tangente. Valor positivo sobe com xx; negativo desce; zero indica região plana, mas não necessariamente um mínimo. O ponto pode ser máximo, mínimo ou inflexão horizontal. Derivadas descrevem a vizinhança. Não revelam automaticamente o melhor ponto da função inteira.

Redes neurais dependem de muitos parâmetros, então sua loss é L(θ1,,θn)L(\theta_1,\ldots,\theta_n). Uma derivada parcial L/θi\partial L/\partial\theta_i pergunta como a loss muda quando o parâmetro ii varia um pouco e os outros ficam fixos. Reunir todas produz o gradiente:

L=(Lθ1,,Lθn).\nabla L=\left(\frac{\partial L}{\partial\theta_1},\ldots,\frac{\partial L}{\partial\theta_n}\right).

O gradiente aponta para o maior aumento local segundo a distância euclidiana; seu negativo, para a maior redução. Gradient descent atualiza θθηL\theta\leftarrow\theta-\eta\nabla L, com learning rate η\eta. Pequeno demais torna o avanço lento; grande demais pode atravessar o vale ou ficar instável. A curvatura faz o passo adequado variar entre direções e ao longo do tempo.

A regra da cadeia conecta sensibilidades numa composição. Se y=f(u)y=f(u) e u=g(x)u=g(x), então dy/dx=(dy/du)(du/dx)dy/dx=(dy/du)(du/dx). Uma rede é uma longa composição de multiplicações, activations, normalização e loss. Backpropagation aplica a regra da cadeia eficientemente, reaproveitando derivadas intermediárias em vez de expandir separadamente cada caminho de cada parâmetro até a saída.

Gradientes têm unidades e escala. Multiplicar a loss por mil multiplica o gradiente por mil sem mudar quais parâmetros representam a solução. Features em escalas muito diferentes tornam a superfície mal condicionada: íngreme numa direção e rasa em outra. Normalização, inicialização, optimizers adaptativos e schedules ajudam a lidar com a geometria, mas não mudam o significado da derivada.

Nem toda operação é diferenciável em todo ponto. ReLU tem um canto em zero; o software escolhe um subgradiente convencional ali. Seleção de token é discreta, portanto o treinamento diferencia probabilidades e representações contínuas, não a palavra amostrada. Diferenças finitas verificam implementações pequenas perturbando parâmetros, mas diferenciação automática analítica é muito mais barata em bilhões deles.

O modelo mental é um mapa local. A loss é terreno sobre o espaço de parâmetros. A parcial é uma inclinação por coordenada; o gradiente é a seta combinada para cima; o negativo sugere a descida. A otimização é difícil porque o terreno é enorme, ruidoso, curvo e observado por batches, não porque a definição seja misteriosa. A geometria explica tanto o sucesso quanto o limite de uma única seta local.

Uma verificação útil em funções pequenas compara o gradiente analítico com diferenças finitas em várias escalas de ϵ\epsilon. Concordância apenas num passo extremo pode indicar arredondamento ou bug; a comparação deve ocorrer longe de pontos não diferenciáveis conhecidos.

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Como explicar para uma criança de cinco anos

Imagine estar numa encosta coberta por neblina com um aparelho que mede inclinação sob seus pés. Uma derivada informa a subida ao longo de uma direção. O gradiente combina a inclinação de cada coordenada numa seta para a maior subida local. Para descer, caminhe contra a seta. O aparelho descreve apenas o terreno perto das botas; um salto grande pode cair além da região que a leitura representava bem.

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Ensine de volta

Explique derivada, derivada parcial, gradiente e learning rate numa superfície de loss, usando explicitamente a ideia de localidade.

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Uma derivada mede como uma saída muda diante de uma variação minúscula numa entrada. Numa loss com muitos parâmetros, cada parcial varia um parâmetro e mantém os outros fixos. O gradiente reúne as parciais e aponta para o maior crescimento local. Gradient descent atualiza parâmetros na direção oposta, com escala dada pelo learning rate. Como o gradiente é local, um passo grande pode ultrapassar o vale ou aumentar a loss.

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Teste seu entendimento

1. Para onde aponta o gradiente de uma função escalar?
Resposta e explicação

Para o maior crescimento local — O gradiente negativo é, portanto, a direção de maior descida local na geometria euclidiana usual.

2. O que a regra da cadeia permite numa rede neural?
Resposta e explicação

Combinar derivadas locais ao longo de operações compostas — A rede é uma composição; a regra da cadeia propaga sensibilidade através dela.

Conclua o teach-back e acerte o quiz para finalizar a aula.

Fontes

  1. Ian Goodfellow, Yoshua Bengio e Aaron Courville (2016). Deep Learning.